sábado, 31 de outubro de 2009
O cavalo Géricault - por José Carlos Ávila
São fatos reais ocorridos nos idos do século XIX.
A "Nova Escola" citada no texto, nada mais é do que a velha escola de La Guériniére de 1700!
É o que eu chamo de equitação de resultado, porque até hoje nenhuma outra mostrou maior eficácia.
Este texto mostra claramente que na relação homem-cavalo o que manda é a equitação e não o cavalo! É mais fácil culparmos os cavalos do que corrigirmos nossas falhas, para isso temos que ter humildade e paciência - coisa que eu menos vejo por aí....
Façam boa leitura!
Paris, por volta de 1840, conviveu com o que ficou conhecido, na França equestre, como a “controvérsia do século.”
De um lado, d’auristas, discípulos e seguidores de Antoine Cartier D’Aure, aristocrata mais conhecido como Conde D’Aure, opondo-se aos baucheristas, alunos e partidários de François Baucher, de origem mais humilde, criador de um “Novo Método” e que, para sustento próprio, dava demonstrações de equitação no Circo, frequentado pela nobreza da época.
D’Aure preconizava e praticava a equitação “ao ar livre” e foi, sem dúvida, o indutor do que hoje chamamos show jumping, enquanto que Baucher defendia e ensinava uma equitação em recintos fechados, nos picadeiros – a “Alta Escola”.
Conhecidos os opositores, vamos à história do cavalo do título:
Lord Seymour tinha, em suas cocheiras, um potro puro-sangue de 3 anos chamado Géricault, acuado e violento, a tal ponto que ninguém ficava em cima dele quando se defendia. Seu proprietário divulgou que oferecia o cavalo ao cavaleiro que fosse capaz de fazer a volta do Bosque de Boulogne sobre o seu dorso.
A proposta superexcitou a rivalidade entre os contendores. O primeiro a apresentar-se foi o visconde de Tournon, considerado o mais vigoroso aluno de D’Aure, que malogrou na sua tentativa. Como representante da “Nova Escola”, o conde Lancosme-Brèves tentou a prova e conseguiu. Os baucheristas festejaram ruidosamente, mas seus adversários alertaram, com toda razão, que o vencedor era um trânsfuga da velha escola, recentemente convertido à nova. E acrescentaram que, enquanto Tournon tentara sozinho, sem nenhuma ajuda, o conde fora rodeado por um grupo numeroso de cavaleiros amigos, cercando Géricault, logo após montado, apertando-o, empurrando-o para a frente, impedindo-o das reações que tão bem sabia usar.
Lord Seymour, sempre um grande “gozador”, mandou Géricault para o senhor de Brèves, que, publicamente, homenageou o seu Mestre, oferecendo-lhe o cavalo. Baucher, aceitando-o, anunciou que pretendia apresentá-lo no Circo, “dentro de, o mais tardar, seis semanas.” Desta vez, o valor do Novo Método e o renome do seu autor entrariam, realmente, em jogo.
O adestramento de Géricault apresentou, de fato, sérias dificuldades? Ninguém soube.
O cavalo era acuado e violento, mas não era mau, nem medroso. É pouco provável que ele tenha se rendido sem qualquer luta, depois da longa série de vitórias que havia imposto a seus sucessivos cavaleiros. Todavia, o tato e a destreza metódica do Mestre desempenharam, sem nenhuma dúvida, papel muito importante no resultado alcançado.
Soube-se, pelo pessoal do manège, que ele “trabalhava” Géricault várias vezes por dia: bem cedo, pela manhã e bem tarde, à noite; que ele mesmo o embridava e o ensilhava, sem admitir a presença de nenhum ajudante; e que, próximo do fim do adestramento, ele o havia montado, várias vezes, na pista do Circo, com os lustres acesos e ao som da orquestra.
Claro, os boatos mais extravagantes corriam no meio do público, sobretudo, no meio dos adversários, insinuando-se que Baucher fascinava Géricault, usando processos misteriosos e que o entorpecia com drogas soporíferas, e que também o privava de alimentação, de água e de sono.
Baucher deixava-os falar e prosseguia no seu trabalho.
Na noite de gala, o Circo estava repleto. A coorte dos fiéis a Baucher se apertava nas arquibancadas, destacando-se, dentre eles, o general Oudinot, o pintor Delacroix e o escritor Théophile Gautier. Frente a eles, estavam os chamados “Conservadores”, os antigos de Versalhes e do Manège Real de Paris. Estavam alinhados atrás de D’Aure, tendo a seu lado o visconde de Tournon, que ainda sentia suas quedas, e se apoiava numa bengala.
Enfim, Baucher fez sua entrada, num silêncio absoluto. Géricault avançou num passo um pouco precipitado, direito e firme, até o meio da pista, onde Baucher o manteve imóvel, durante um longo alto, de frente para o camarote dos Orléans, saudando a assistência, com seu bicórnio de plumas de galo.
Uma tempestade de aplausos, então, explodiu, iniciando a orquestra uma marcha guerreira.
Géricault tomou, obediente, a pista, demonstrando mais segurança do que receio e sem a menor tentativa de resistência. Baucher fê-lo executar, inicialmente, um trabalho simples, mas correto, e, pouco a pouco, Géricault distendeu suas andaduras, executou voltas, apoiou, sem se inquietar com o público ou com a música.
Altos curtos e partidas instantâneas interrompiam e restabeleciam a reprise ao galope, fluente e depois cadenciado, para a execução das piruetas. Duas mudanças de mão com mudanças de pé, executadas em galope amplo terminariam o trabalho. Para finalizar, Gericault fez, no centro da pista, um alto fulgurante, Baucher saudando confiante.
Uma ovação delirante acompanhou sua saída, executada com um recuar a passo contado, de majestosa amplitude.
Todos os fiéis admiradores do Mestre pareciam tomados de frenesi. Do outro lado, nas fileiras subitamente desfalcadas dos d’auristas, o visconde de Tournon, bengala sob o braço, aplaudia sem cessar, enquanto D’Aure imitava-o, discretamente.
Estava confirmado o sucesso da “Nova Escola”.
(Extraído do livro “Baucher et son École” , do General Albert Decarpentry)
* José Carlos Ávila está em atividade hípica ministrando aulas e montando no Clube Hípico de Santo Amaro
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O Salto de Obstáculos e a Triste Realidade

Já faz tempo que observo e comento sobre os caminhos da modalidade de Salto de Obstáculos aquí no Brasil.
terça-feira, 10 de março de 2009
ACADEMIA DE EQUITAÇÃO HANNOVER
Situada no Centro Hípico Del Verde, em Itapecerica da Serra, fica somente a 20 minutos da Santo Amaro, o que facilita o acesso dos clientes e barateia o transporte dos cavalos aos grandes eventos nacionais e estaduais, fora os eventos que serão sediados no próprio estabelecimento.
Esta escola tem por finalidade iniciar o aluno com base nas ajudas da equitação alemã. A mesma praticada pelos cavaleiros campeões olímpicos e mundiais. Aqueles que já praticam em nível intermediário e avançado também aprenderão estas ajudas tão eficazes que transformam qualquer cavalo.
Além das aulas de Adestramento e Salto, também há o trabalho diferenciado dos cavalos onde se desenvolve todas as andaduras, a flexibilidade e o mais importante, a impulsão. Este trabalho é fundamental para qualquer raça de cavalo e para qualquer cavaleiro que deseja se destacar no hipismo. Sem isso não há cavalo!
Há também o trabalho especializado em Lusitanos para as reprises Preliminares seguindo até o nível Grand Prix de Adestramento.
Esta é a única escola do Brasil onde se pratica as ajudas alemãs da Escola Espanhola de Viena e os ensinamentos do Mestre Nuno de Oliveira. A supervisão de ensino é do Equitador João Montarroyos, com mais de cinquenta anos de experiência, inclusive internacional, tendo trabalhado com os melhores cavaleiros da França e Alemanha.
www.porforadaspistas.com.br/hannover
E-mail para contato: hannover.equitacao@hotmail.com
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Carta aberta de Doda para a comunidade hípica
A idéia seria realizar dois eventos no Brasil, um em SP e outro no RJ. Desse modo, teríamos o privilégio de receber por duas semanas no Brasil, os melhores cavaleiros do mundo.
Se assim fosse, a minha idéia seria que o AOIHS realizasse clínicas no intervalo das duas semanas - sempre ministradas por um cavaleiro top.
Seria um projeto patrocinado pelo AOIHS e convidaríamos os melhores cavaleiros do Brasil em cada categoria para participar destas clínicas.
Infelizmente, com toda a mediocridade da nova diretoria da SHP, tudo foi por água abaixo. Vocês não podem imaginar a dificuldade de realizar as coisas, hoje em dia, naquela hípica. Tudo que o AOIHS trouxe de beneficio para a SHP, foi esquecido!
Enfim, peço desculpas a São Paulo e a todos aqueles que sempre me apoiaram no evento, mas garanto a todos que não faltou garra e insistência para tentar resolver este problema. Se meus cavalos ainda estivessem estabulados na SHP, tiraria todos de lá e não representarei mais este clube!
Agradeço, do fundo do meu coração, a SHB e a todos que contribuíram para que a etapa do Rio de Janeiro fosse realizada.
Garanto a todos que será um espetáculo o AOIHS no Rio de Janeiro!
O Global Champions Tour e a Eurosport estão muito entusiasmados com a mudança!
Grande abraço e nos vemos na cidade maravilhosa!
P S – A Final do GCT, edição 2010, já está confirmada também no Rio de Janeiro.
Doda
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Lusitano filia-se a WBFSH
Depois de cumprir todas as etapas burocráticas, administrativas e, principalmente, esportivas, a ABPSL noticia oficialmente sua filiação à WBFSH ― World Breeding Federation for Sport Horses ―, a Federação Mundial dos Criadores de Cavalos de Esporte.
“Estamos muito satisfeitos por conseguirmos integrar esta prestigiada entidade, referência internacional no desenvolvimento da criação de cavalos atletas. Com certeza, já começaremos 2009 com excelentes perspectivas”, avalia Raul Silva, superintendente da ABPSL.
Além do status e reconhecimento conferidos à criação brasileira de Lusitanos pela aceitação junto à WBFSH, nossos conjuntos ganharão a oportunidade de disputar os fortíssimos Campeonatos Mundiais de Cavalos Novos de 5, 6 e 7 anos organizados pela Federação em território europeu. Todos os PSLs registrados no Brasil, competidores de concursos internacionais, também participarão dos rankings de animais e garanhões formatados pela instituição.
Para aqueles que desejam saber mais um pouco sobre a importância da WBFSH no contexto do hipismo mundial e da eqüinocultura voltada para o esporte de alta performance, o site www.wbfsh.org contém todas as informações relevantes sobre mais esta grande conquista do Puro Sangue Lusitano nacional.
Fonte: Bureau Comunicação
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Vitor Teixeira e Cesar Almeida na final do Mundial em Las Vegas
O ginete garantiu a classificação ao vencer a última classificatória para a competição na tarde da última sexta-feira, 28/11, na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. O brasileiro também garantiu o título da Liga Sul-Americana, edição 2008.
Montando Yuri Climber Itapuã, ele foi o mais rápido no desempate da prova com obstáculos a 1,50m, com o tempo de 37s72 e uma falta. O segundo posto ficou para o César Almeida no dorso de Kauana Shalon Pacino, com o tempo de 37s92, também com uma falta. O conjunto Francisco José Musa/Premiére Chantre 6 ficou com a terceira colocação com o tempo de 38s41 e uma falta.
"Estou muito feliz em ter a chance de representar o Brasil nos Estados Unidos. Foram sete seletivas, só participei das etapas brasileiras, já que podia contar com três descartes e tive a sorte de ir bem em todas. Agora pretendo ir para a Europa para traçar um plano de treinamento para o meu cavalo e buscar uma boa colocação nesta grande final", disse Vítor, nove vezes campão brasileiro, categoria sênior top.
Na primeira passagem, os 22 conjuntos inscritos para a prova tinham 69 segundos para saltar os 12 obstáculos do percurso traçado pela course designer Marina Azevedo. Deles, apenas cinco conseguiram não cometer infrações e passar ao desempate. Desta vez, com o tempo concedido de 42 segundos, os conjuntos tentariam saltar sete obstáculos sem cometer faltas, no menor tempo. Devido ao alto grau de dificuldade, nenhum conjunto zerou. Vitor Alves Teixeira foi o mais rápido com apenas uma penalidade.
É interessante lembrar - que como aconteceu nos outros GP's W disputados no Brasil - a dimensão da pista Roberto Marinho da SHB foi reduzida para 70 x 30 m. Ou seja, somente utilizou-se o retângulo formado pela lateral da pista e, como "altura" do mesmo, a distância (30 m) que iniciava-se na "entrada" da pista e terminava antes do Júri de Campo (ou seja, antes do obstáculo "rio").
"Uma prova com essas dimensões exige muito do cavalo e do cavaleiro. Foi uma pista muito difícil, decidida nos detalhes e estou muito satisfeito com o rendimento da minha montaria. Para se ter noção do grau de dificuldade desta prova basta ver que nenhum conjunto conseguiu zerar no desempate", completou.
Fonte: PFDP
Carta Aberta do Pres. da FEERJ, Pedro Valente
Como dirigente do Hipismo, é meu dever esclarecer à comunidade hípica o que
se segue:
Tenho a maior admiração pelos relevantes serviços que o PFDP presta ao nosso
esporte, mas não podemos comemorar, a bem da verdade e pelo bem do
hipismo nacional, a “reversão” no corte de verba da CBH pelo COB.
Não foram revertidos R$ 300.000,00 e sim R$91.500,00. Esclareço: a verba do
hipismo em 2008 era de R$ 1.708.500,00 e passou para R$ 1.800.000,00 em
2009. Os R$ 300.000,00 dos quais se fala correspondem à diferença entre a
verba de 2008 e a estimativa para 2009, que era de R$ 1.500.000,00 ( ridícula!).
E mais: a Lei Piva disponibilizou recursos superiores aos que o COB estimava
para 2009; assim, só para se ter uma idéia, a Confederação de Badminton teve
aumento de 40,5%, a de Esportes na Neve de 110,7%, a de Hóquei na Grama &
Indoor de 40,5%, a de Levantamento de Peso de 40,5%, a de Taekwondo de
75,6%, a de Tiro Esportivo de 40,5% e assim por diante.
A verdade é que atualmente, atrás do Atletismo, Esportes Aquáticos, Ginástica,
Handebol, Judô, Vela & Motor e Vôlei, o Hipismo, esporte de altíssimo
investimento, 3 vezes Campeão do Mundo, Penta Campeão Pan Americano e
campeão Olímpico recentemente, além de ocupar a 7ª posição na divisão de
recursos, pior: ocupa a 24ª posição ( são 28 Confederações olímpicas) no
porcentual de aumento. Efetivamente apenas 5,4%, um dos mais baixos
aumentos para 2009, só perdendo para 3 ou 4 modalidades de menor expressão
ou em franca decadência.
É necessária muita falta de prestígio, falta de gestão política ou acomodação
dos dirigentes em exercício para ter aceito tal situação.
Portanto sugiro ao novo Presidente da CBH, que ainda não tomou posse - a
quem me solidarizei desde a 1ª hora nestas eleições – e que herdou tal
situação, que não a festeje e mesmo tente de algum modo revertê-la, sob pena
de recair injustamente, em futuro próximo, sobre seus ombros a
responsabilidade das conseqüências.
PEDRO VALENTE
Presidente da Federação Eqüestre do Estado do Rio de Janeiro
* Fonte de dados – O GLOBO 4/12/ 2008
"O DOPING É COMO A MÁFIA"
Pound afirmou, em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel, que a disseminação do doping pelo mundo usa estrutura semelhante à da máfia. Deve, por isso, ser combatida da mesma maneira. "O doping é como a máfia. Precisamos da colaboração da polícia e dos promotores. Nossas armas são muito limitadas: nós só podemos testar urinas e sangue. Os investigadores podem ler e-mails, grampear telefones, um arsenal maior do que uma amostra de xixi."
O dirigente também faz um alerta: o doping genético não é ficção. "Já sabemos que existem testes, por isso temos que tratar o assunto seriamente. Uma coisa é certa: quando o doping genético for possível, o uso de esteróides anabolizantes será tão moderno quanto pinturas pré-históricas."
Segundo Pound, "o mundo de quem se dopa é um mundo de doentes". Para corroborar sua tese, contou a história de um cientista da Escola de Medicina da Pensilvânia, nos EUA. "Lee Sweeney conseguiu aumentar em 35% a massa muscular de um rato graças à engenharia genética. Metade dos e-mails que recebe é de atletas dizendo: "Tente isso comigo". Sweeney responde que não sabe como o corpo humano reagiria a tal intervenção. Mas os atletas pedem: "Tudo bem, faça o teste".
Ex-nadador, Pound tem hoje 66 anos. Nos jogos de Roma, em 1960, foi o 6º colocado nos 100m livre - o brasileiro Manoel dos Santos ficou com o bronze.
Membro do Comitê Olímpico Internacional desde 1978, diz que despertou para o doping em 1988, nos Jogos de Seul. "Foi quando, pela primeira vez, estive frente a frente com um atleta acusado de trapacear. Foi meu compatriota Ben Johnson, que tinha acabado de vencer os 100m rasos com um recorde mundial."
fonte: O Estado de São Paulo
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Luiz Roberto Giugni é o novo presidente da CBH
Luiz Roberto Giugni é o novo presidente da Confederação Brasileira de Hipismo. O presidente da
Federação Paulista de Hipismo (2006 e 2007) foi aclamado por unanimidade na Assembléia realizada na
manhã desta segunda-feira, 17/11, na sede da entidade, no Rio de Janeiro. Luiz Roberto tomará posse
no dia 1º de janeiro de 2009 e sua gestão terá duração de quatro anos.
Desde os 10 anos de idade envolvido no meio hípico, o novo presidente comandará o próximo ciclo
olímpico e terá como desafios o Mundial de 2010, o Pan-Americano de 2011 e as Olimpíadas de 2012.
Ao todo, 18 das 20 Federações (faltaram Sergipe e Brasília) compareceram à Assembléia e votação
transcorreu em clima de tranquilidade culminando na eleição unânime e por aclamação de Luiz
Roberto e do novo vice-presidente Guilherme Saraiva, que deixa o cargo de presidente da Federação
Eqüestre do Pernambuco.
“Pela primeira vez, a CBH terá uma gestão com um ciclo olímpico completo e isso é muito importante,
já que as anteriores tinham a duração de apenas dois anos. Ano que vem será de preparação para o
Mundial de Kentucky, que englobará todas as modalidades olímpicas e não olímpicas. Em 2011 tem o
Pan de Guadalajara e em 2012 os Jogos Olímpicos. Teremos muito trabalho pela frente!”, prevê Giugni,
cirurgião dentista, ex-presidente da FPH e diretor do Clube de Campo São Paulo.
“Esta eleição foi marcada pelo consenso e o meu trabalho será de paz entre as federações e cavaleiros.
Vou olhar com atenção para todas as modalidades eqüestres, além de dar continuidade aos trabalhos
feitos pelo Manfredi”, acrescentou o novo presidente.
"Eu e o Guilherme Saraiva nos comprometemos a fazer uma parceria forte para atender a todas as
Federações e a CBH, na medida do possível, sempre estar presente nos principais concursos do país.
Nossa meta é dar suporte a todas as Federações, também priorizando as menos favorecidas",
completou Luiz Roberto.
Maurício Manfredi, atual presidente da CBH, desejou boa sorte ao novo dirigente. “Desejo sorte ao novo
presidente e acredito que ele realizará um belo trabalho. Desde já me coloco à disposição para ajudar
no que for preciso, ele terá o meu apoio irrestrito”, disse Manfredi.
Country Press com a fonte: Presscom Comunicação
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
O GRANDE MESTRE NUNO OLIVEIRA

Nuno de Oliveira foi reconhecido e aclamado em todo o mundo como o último grande Mestre da Equitação Clássica. Dizia-se que ele personificava a passagem duma era: uma idade de ouro da equitação acadêmica e artística que começou com De la Gueriniére e que no século XIX teve como expoente máximo François Baucher, que era quem ele mais admirava.
Nuno de Oliveira não era apenas um grande instrutor, cavaleiro e treinador, era também uma pessoa extraordinária. Verdadeiramente excepcional no que à equitação dizia respeito era altamente considerado em Potugal e foi duas vezes condecorado por seu governo. Era também aceito e reconhecido por Chefes de Estado, políticos e diplomatas em todo o mundo.
Por puro talento, total autodisciplina e genuíno amor pelos cavalos, juntamente com uma compreensão e visão do seu potencial, Nuno de Oliveira atingiu a excelência.
Era difícil imaginar Nuno de Oliveira sem ser a cavalo. Apesar da passagem dos anos, Mestre Nuno nunca alterou a sua rotina espartana de trabalho. O seu dia começava com os cavalos novos às 05H30 da manhã; depois seguiam-se infindáveis lições com alunos internos e estrangeiros com as correspondentes sessões de adestramento concentrado. Ao anoitecer tinha concluído mais trabalho do que a maior parte das pessoas consegue executar durante uma semana. No entanto, depois de tudo isto, com um copo de whisky e o inevitável cigarro, o Mestre ainda tinha tempo para conversar e discutir o seu trabalho com extremo encanto e cortesia.
A cavalo, Nuno de Oliveira, apresentava uma inconfundível silhueta que lhe era muito própria. Nas suas lições falava de "um dorso superior alargado" com o assento absolutamente em bloco único com o cavalo. A sua cabeça posicionava-se duma maneira ligeiramente inclinada, como se penetrasse na parte de trás do cérebro do cavalo com o seu intenso, quase pensativo olhar - no entanto os alunos eram aconselhados a não o imitarem.
Com uma majestosa presença, ele parecia elevar-se acima da sela como um rochedo, orgulhoso, sólido e principalmente tranqüilo. Desmontado, esperava-se ser confrontado pela força física de um homem muito grande e era quase um choque quando uma bem delineada e artística mão morena nos era estendida por uma figura alta, mas relativamente magra e seca.
A leveza nas mãos era constantemente repetida pela leveza das pernas, e a única concessão que o Mestre fazia à força visível era a da linha arqueada das suas costas e do proeminente peito de cavaleiro clássico.
A gentileza era usada sem restrições com todos os seus cavalos e freqüentemente, especialmente se merecida, com os seus alunos que ele tratava como fiéis amigos. O alheamento estava muitas vezes presente durante os períodos de instrução ou quando se entregava a reminiscências. O olhar frio podia surgir rápido, quando, estando a dar lições era interrompido por comentários intempestivos e em voz alta por ocasionais visitantes, ou numa discussão sobre contato. Isto pode talvez ser melhor resumido pela citação seguinte do livro do Mestre ‘Reflexões da Arte Eqüestre ’. "Eu não consigo controlar a minha raiva quando ouço dizer que o cavalo deve ser permanentemente pressionado contra o ferro".
Nuno de Oliveira não era, nem condescendente nem superior, e encorajava a humildade. Gostava de falar da sua vida e dos seus cavalos com todos os seus triunfos e ocasionais desilusões. E acima de tudo, ele era na verdade um admirador do papel de "écuyer", como aliás enfatizou no livro "Princípios Clássicos da Arte de Treinar Cavalos". O verdadeiro "écuyer" não deve nunca, escreve ele, ter "a estupidez dum complexo de superioridade" ou "a vaidade de se julgar um gênio".
Para o Mestre, o conceito de praticar e ensinar a equitação clássica deve ser baseado em leveza, liberdade, beleza e harmonia. "O cavaleiro que constantemente segura o seu cavalo com um forte contato não pode nunca progredir; só o cavaleiro que sabe como trabalhar o seu cavalo em liberdade descobrirá a arte de montar."
Falava da sua crença em Deus e de que para ele a coisa mais importante era ajudar as pessoas. "Se temos um talento também temos um dever. O meu dever na vida é mostrar às pessoas e ensiná-las a montar cavalos como Deus quer."
Para quem visse os cavalos novos de Nuno de Oliveira trabalhando na sua escola para ele, a diferença entre os seus métodos e tantos outros métodos que estavam em moda na Europa, tornava-se inequivocamente clara.
Em primeiro lugar, os seus cavalos eram suaves e lindamente equilibrados. Trabalhados primeiro à guia, e depois montados com uma ligeira concentração através de exercícios cuidadosamente desenhados em circulo, depressa aprendiam a suavidade e o arredondamento. Este trabalho assegurava que os curvilhões ficassem suficientemente por debaixo deles para produzirem um excelente alongamento em linha reta quando necessário. No entanto durante esta primeira fase de treino, Nuno de Oliveira era cuidadoso e não pedia muita extensão. "Isto prejudicaria mais tarde a capacidade de ginástica do cavalo se for exigida demasiado cedo" explicava ele.
"O nosso objetivo é fazer o cavalo redondo, depois ele pode transportar-nos confortavelmente e aprender a ser ginasticado. Não se pode esperar que um cavalo seja atlético se constantemente o derrearmos".
Dentro deste trabalho de reunião, grande importância era dada em deixar o cavalo descontrair com uma rédea longa entre exercícios, e recompensá-lo com elogios e ocasionais recompensas. Nuno de Oliveira era muito rigoroso no trabalho e consistentemente examinava os cavalos e alunos pedindo-lhes que seguissem pela linha do centro depois de trabalharem em círculo ou em movimentos laterais.
Paradas bem executadas e o recuar sem restrições eram também muito importantes. Nuno de Oliveira gostava de todos os cavalos, mas tinha preferências óbvias... "Amo o meu País e amo o nosso Lusitano", dizia com um sorriso. "Ele tem o mais gentil temperamento do mundo e é o mais bem equilibrado. Torna simples o trabalho do cavaleiro porque aceita melhor as mãos e pernas. Mas também gosto do Puro Sangue Inglês. É um cavalo maravilhoso, uma criatura de grande vivacidade, brilho e beleza. Talvez entre todos, o mais brilhante para dressage, se se encontrar um bom. Mas tem que ser mesmo muito bom. Não do tipo errado, com uma garupa fraca e um pescoço invertido, mas bem inserido no corpo. "Por implicação, lamentava a moda dessa época, no mundo de dressage, dos grandes meio sangues europeus. "Eles não são sensíveis ou fogosos como os puro sangue, nem são doces e prestáveis como os lusitanos. São grandes máquinas, excelentes no seu trabalho, eficientes como poder motorizado. Usam a força e as pessoas montam-nos com força. E isso é triste, não há arte nisso. A arte não pode nunca ser forçada."
Os alemães criaram o aspecto desportivo da dressage que tem sido seguido pelas outras nações do mundo para se encaixar convenientemente no molde competitivo dos Jogos Olímpicos. "Os alemães são altamente organizados", admitia Nuno de Oliveira "não fizeram somente o desporto ser o que é, mas controlam-no, vivem para ele e trabalham para ele. São extremamente dedicados, temos de o reconhecer."
Entre os cavaleiros de competição internacional de dressage, do seu tempo, segundo dizia, admirava "Schultheis, provavelmente o melhor, e Klimke obviamente também muito bom." Acrescentava. "A maneira de pensar dos juizes devia ser alterada. Como podemos ter juizes julgando em provas de nível Grand Prix que nunca, eles próprios, montaram a este nível? Nunca esquecerei uma das minhas alunas na Bélgica que me mostrou a sua folha da prova depois de não ter conseguido atingir uma boa pontuação numa competição de dressage. O comentário subscrito era: "Não cruza atrás!!!"
Se queremos influenciar o mundo, temos de mostrar ao mundo a arte de montar. Exponham beleza! Façam as pessoas sentarem-se e notarem. O publico não é parvo, eles sabem reconhecer quando vêm qualquer coisa que brilhe."
Com o Mestre Nuno e o seu filho João para ilustrar essa arte na sua quinta em Portugal os sonhos pareciam ser de fácil alcance. Faziam tudo o que podiam para espalhar os seus métodos e os seus ideais de perfeição. Centenas de alunos desde a Suíça até à Suazilândia, faziam a peregrinação até à colina onde se situa a sua quinta, todos os anos, e ganhavam o privilégio de montar os seus garanhões de alta escola.
Profundamente devotado aos seus alunos de todo o mundo, o Mestre nunca os desapontaria faltando à sua longa lista de compromissos.
À pergunta, quem o substituirá um dia? Quem sabe o suficiente para transmitir no futuro, esta arte? Nuno de Oliveira contava com o seu filho João, que, segundo dizia. "Sabe mais do que qualquer outra pessoa. Há também os meus alunos espalhados por esse mundo e a minha nora, Sue Cromarty Oliveira, na Bélgica. Há muita gente a conhecer os meus métodos, e há também os meus livros."
De fato, os livros do Mestre Nuno de Oliveira são o grande legado que ele deixou ao mundo eqüestre.
O que é que distingue este grande senhor, de todos os outros cavaleiros seus contemporâneos?
Teria sido porque deu aos seus cavalos, neste século de rápidos resultados e instantâneos sucessos, um nível de ensino nunca atingido por outros?
Teria sido puramente a sua presença magnética e o toque especial que dava aos seus cavalos?
Teria sido a sua abordagem artística e o que parecia ser a herança das antigas coudelarias reais investida num só homem?
Ou era a sua retentiva e investigadora mente que lhe permitia não apenas tirar partido das suas experiências mas também aprender a partir delas antes de começar a trabalhar com cada novo cavalo?
É difícil dizer. Talvez a combinação de todas estas qualidades e acima de tudo a sua capacidade de sentir, o que fazia dele um ser à parte.
Sentir o que está certo para cada indivíduo no tempo e lugar certo - é um raro dom em qualquer esfera - muito especialmente com cavalos e cavaleiros.
